Não é nossa culpa que o assunto repete, é do POVO BRASILEIRO que criou nada mais nada menos que 3 VERSÕES de truco. Porque uma só, pelo jeito, não consegue conter toda a emoção gerada pelo jogo.

 

Ok, ok, a gente entende, afinal, nós aqui do Mega também AMAMOS o truco gaudério e não nos fazemos de rogados para falar um pouco mais sobre essa modalidade criada no sul do país TCHÊ!

Como surgiu o truco gaúcho?

 

Apesar de não haver um consenso sobre a origem exata do truco gaúcho, o autor Simão Sirineo Toscani diz em sua obra “Está tudo dito na Lei do Jogo: Truco”, que a versão gaudéria é uma adaptação da versão espanhola do Truc, um dos jogos de cartas que deram origem ao truco como conhecemos.

Essa crença vem do fato do truco gaudério usar um baralho espanhol, no qual o Rei é chamado de 12, a Dama de 11 e o Valete de 10.

Praticado principalmente no estado do Rio Grande do Sul, essa versão do truco também é muito jogada na Argentina desde a época da Guerra do Paraguai, quando gaúchos e hermanos se reuniam nas horas de descanso para jogar.

Como funciona o jogo?

Apesar de manter a mesma dinâmica de jogo dos trucos paulista e mineiro, a versão sulista possui características distintas, tais como: o baralho utilizado (baralho espanhol) e o fato de ter uma espécie de preliminar de jogo, que são os “envidos” e “flores” ou “jogo dos pontos”.

O objetivo do jogo é chegar a 18 tentos (pontuação do jogo), divididos em 2 voltas de 9, quando de mano; ou a 24 pontos, divididos em 2 voltas de 12, quando em duplas ou em trios. 

Ao contrário do Truco Paulista, no Truco Gaudério não existe a carta vira. As manilhas são pré-determinadas, sendo elas: 

Dinâmica do jogo

Cada mão equivale a um conjunto de três vazas, onde os jogadores deverão colocar na mesa suas cartas, uma por uma. 

*Breve dicionário do truco:

Mão – Fração da partida, vale 1 ponto (caso ninguém peça truco) e é disputada em melhor de 3 rodadas (vazas).

Ganhará a vaza o jogador (ou dupla, ou trio) que mostrar a carta de maior valor. Dessa mesma forma, ganhará a “mão” quem vencer duas das três vazas. 

Envidos ou Envites

Também conhecido como “jogo dos pontos”, é uma característica própria do truco gaudério e, segundo muitos, é o que o torna mais interessante do que as outras variantes. 

Trata-se de uma preliminar da partida, onde os jogadores podem ou não ganhar tentos extras pela comparação dos pontos que cada um tem em mão. 

Para isso, é preciso entender primeiramente o valor das cartas para os envidos.

  • Valor das cartas

Nos “envidos”, as cartas valem o seu número, isto é: o Ás vale um ponto, o 2 vale dois pontos, o 3 vale três e assim por diante, até o 7. 

As cartas “negras” (figuras), que são o 10 (sota), o 11 (cavalo) e o 12 (rei), valem zero pontos. Porém, a combinação de duas cartas do mesmo naipe dá direito a uma bonificação de 20 pontos que deverão ser somados ao valor dessas duas cartas. 

Exemplo: um jogador tem um Ás de copas, 7 de copas e 6 de bastos. Esse jogador tem duas cartas do mesmo naipe (20 pontos) mais 1 (Ás), mais 7 (sete), portanto possui 28 pontos. 

Um jogador pode pedir envido quando julgar que seus pontos são superiores ao do adversário, que deverá aceitar ou não dizendo QUERO ou NÃO QUERO, simplesmente. 

Flor

O jogador deverá “cantar” Flor quando suas três cartas forem do mesmo naipe. 

Uma flor vale 3 tentos e anula qualquer pedido de envido feito anteriormente ou que alguém queira fazer. 

A flor deve ser cantada antes do primeiro descarte do jogador que a possui e não poderá ser blefada (ou seja, o jogador que canta flor deve tê-la obrigatoriamente, devendo mostrá-la ao final da mão, sob pena de pagar os 3 tentos ao adversário se não o fizer). 

Se acontecer de dois jogadores possuírem uma flor, ambos podem cantá-la. Neste caso, os pontos são disputados da mesma maneira que nos envites, recebendo 6 tentos quem tiver a maior flor.

Encerrada a fase dos envites (se os jogadores o disputarem), começa a partida, como nas outras modalidades de truco.

Expressões do Truco Gaudério

O vocabulário usado durante o jogo é vasto e reflete o caráter regionalista e animado do truco gaudério. 

Algumas das palavras e expressões mais usadas são:

  • Abóbora ou xicrinha (xícara no diminutivo): apelido do naipe de copas, também usado para o ás de copas.
  • Achicar: achicar-se significa correr, cair fora, encolher-se, mixar-se, fugir do jogo.
  • Calavera: jogador esperto que sabe blefar ou que rouba sem ser percebido pelos outros.
  • Capote: vencer o adversário ficando este com menos da metade dos pontos do vencedor. Nos jogos de dupla ou trio, existe a tradição de que quando o adversário leva “capote”, deve passar por debaixo da mesa do jogo.
  • Chamar: “chamar o jogo” significa pedir truco; “chamar os pontos” é pedir envido.
  • Chambão: é o jogador que não sabe jogar direito, que faz trapalhadas, ou que “foge” frequentemente durante o jogo.
  • Chambear: agir como um chambão. 
  • Cheirosa: é a expressão usada para referir-se à flor sem falar a palavra (já que falando, o jogador estaria dizendo que tem flor).
  • Ir ao baralho: desistir da mão, achicar-se.
  • Ligar: significa ter pontos de envido, ou seja, combinar duas cartas de mesmo naipe.
  • Parda: é a carta que terminou uma vaza (rodada) empatada com outra (por isso mesmo se usa a expressão “empardar”).
  • Perna, perninha: ter pelo menos uma carta boa o suficiente para ganhar uma vaza.
  • Pesquisador (Morredor): carta jogada com intenção de verificar se o adversário tem uma boa mão, geralmente um 2.

  • Peter Pan: apelido dado ao 10 de espadas (sota de espadas).
  • São Jorge: apelido dado ao 11 de espadas (cavalo de espadas).
  • Bairinho, bairon e bairão: apelido dado ao 10,11 e 12, respectivamente, de qualquer naipe.
  • Véia: outro apelido dado ao 10, 11 e ao 12 de qualquer naipe.

Gauchada realmente não economiza palavras e, além de todos esses termos, ainda são comuns frases como: 

  • “Pro rei não se mente, minha gente”
  • “Quem não pode não pergunta, carrapato não tem junta”
  • “A primeira em casa, o resto se faz na estrada” 
  • “A primeira em casa, o resto no grito”
  • “Na testa nunca se empresta”
  • “Vai pro pé, que tem chulé”
  • “Casal na mão de tonto vale um ponto”
  • “Se cortar, pode chamar”
  • “Não corta e nem fura, é perninha de saracura”

E acredite se puder, existem muitas mais. Jogo mais “cantado” não há!

Truco Gaudério no MegaJogos

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